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Comunicação e hepatites virais como instrumento de promoção da saúde pública
Liandro Lindner
Jornalista e consultor do Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV)
 
Liandro Lindner

A importância da comunicação como ferramenta estratégica para ações de saúde e, mais especificamente na ampliação da divulgação das hepatites virais e na garantia de qualidade de acesso às pessoas atingidas, foram um dos tópicos discutidos durante o II Seminário Hepatites para Comunicadores, que ocorreu em Brasília e que reuniu comunicadores de onze estados, nesta semana. Esta iniciativa visa fornecer aos operadores da comunicação informações a respeito da epidemia de hepatites e discutir com eles os melhores caminhos e estratégias para se ampliar o debate em torno deste tema.

Comunicação e Saúde tem sido um tema cada vez mais freqüente nas discussões dos que atuam na saúde pública. É movimento crescente que ganhou impulso com o advento da Constituição de 1988 e com Sistema Único de Saúde (SUS). O tema foi galgando gradativamente espaço nos fóruns de discussão, tendo sido contemplado com um eixo temático na última Conferência Nacional de Saúde. Quando a epidemia da Aids surgiu na década de 80, desafiadora e revolucionária, a comunicação teve importante papel nas ações de divulgação e promoção de formas de prevenção O discurso envolvendo o tema evoluiu de mera divulgação de ações higienistas ou associadas à divulgação de agravos e surtos para catalizador de participação popular envolvendo áreas de informação, educação e comunicação.

A participação dos comunicadores, dos palestrantes, gestores e membros da sociedade civil que passaram por lá apontam pára alguns elementos importantes para que qualquer ação, de comunicação resulte em sucesso: participação, linguagem adequada, criatividade, foco no objetivo, consistência, forma de saber lidar com a mídia e clareza na mensagem. Trabalhar com comunicação e saúde requer estratégias diferenciadas de abordagem, que fogem do foco comercial ou meramente de marketing. A sociedade civil ganha espaço e supera muitas vezes as ações dos governos pois possui a interlocução com a base, diferencial que possibilita maior chance de acerto, mas também, amplia a responsabilidade no compromisso com o acerto das políticas sociais.

A luta pela ampliação do conhecimento das hepatites, considerada a epidemia do século 21, é uma luta pela saúde publica e se espalha em diversos objetivos que requerem atenção e mobilização como a aprovação da EC/29, a garantia de acesso aos medicamentos de alta complexidade que os pacientes necessitam, o debate sobre as liminares para concessão de medicamentos e o ressarcimento dos planos de saúde ao SUS, para citar alguns exemplos. Ao trabalhar com os comunicadores se estende o gradiente de pessoas comprometidas com estas causas e se amplia nas esferas de governo à necessidade de capacitação para a formação de uma comunicação coletiva, em busca de uma qualidade maior da saúde.

Fonte: Agência de Notícias da Aids
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