| Em Nome do Pai | |
Beto Volpe Preside o Grupo Hipupiara em São Vicente/SP e é membro da RNP HIV | |
Por Beto Volpe
Mas é um marcador histórico, sem dúvida. A aprovação da CNBB à iniciativa das pastorais da AIDS, da Saúde e da Criança demonstra que quando se trabalha com as afinidades, os progressos são visíveis. O estímulo, entre os fiéis, à testagem para o HIV e para a sífilis ataca frontalmente duas situações onde o Brasil fez poucos avanços e vem colhendo resultados negativos: o diagnóstico tardio e a ainda muito presente sífilis congênita. Está de parabéns a Igreja por, pela primeira vez, abrir seus portais para ações na luta contra a aids no âmbito de prevenção e diagnóstico. Parabéns ao Ministério da Saúde, por aplicar o princípio da redução de danos em sua gestão, ao ter flexibilizado as negociações sobre uso de preservativos e ter valorizado outros pontos em que o diálogo e as ações acontecem com mais facilidade. E mantendo, fundamentalmente, o princípio do Estado laico nas articulações.
Outro bom exemplo acontece em São Paulo, onde um grupo de trabalho consegue reunir praticamente todas as correntes religiosas em torno de um propósito: o que podemos fazer em conjunto na luta contra a aids. Essa proposta vem tendo repercussões, com a instalação de três grupos regionais, sendo o mais recente o da Costa da Mata Atlântica, no litoral paulista. Sociedade civil, governo e instituições religiosas conseguem avançar em suas afinidades, fertilizando o solo para as negociações mais complicadas, como o uso dos preservativos, por exemplo. Ou os vários casos de ‘cura’ pela fé, seja na palavra de um pastor que faz tratamento com antirretrovirais, seja na de uma curandeira que acredita fazer o bem.
Resta lutar, ou rezar, para que o governo continue nessa aproximação, mas não se esqueça que ele não pode falar em nome do Pai. Quando o Estado fala em nome do Pai, corre o sério risco de cometer as mesmas atrocidades que a Igreja, em nome do Pai, comete historicamente. É preocupante que acordos estejam sendo estabelecidos concedendo prioridades no ensino religioso. Especialmente quando o ensino religioso privilegiado acredita em abstinência, fidelidade e camisinhas nem pensar. Deus nos livre!
Em nome do Pai,
da Mãe
e das filhas de santo,
Amém
Fonte: Agência de Notícias da Aids | |
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