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Aids continua avançando entre mulheres; falta ação
Em todas as regiões do mundo, a proporção de mulheres entre as pessoas portadoras do HIV vem aumentando
30.05.2006
Entrevistado
Peter Piot
Diretor-executivo da Unaids
UNAIDS - programa da Organização das Nações Unidas para HIV/Aids.
ENTREVISTA

Por Evelyn Leopold

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Todos os que se envolvem na prática do sexo correm o risco de serem contaminados pela Aids, mas mulheres e meninas, com frequência, não podem escolher quando ter relações sexuais e estão se aproximando dos homens no número de novas contaminações pelo vírus HIV, dizem especialistas.

As mulheres, assim como as crianças que elas dão à luz, estão se transformando, rapidamente, no ponto cego de muitos programas de prevenção da Aids, e serão um dos assuntos tratados em uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne ministros de governo e acontece entre quarta e sexta-feira.

"O problema é que, quando se pensa na abstinência sexual ou no uso de preservativos em relações heterossexuais, esses são métodos controlados pelos homens. Sempre", afirmou Peter Piot, diretor-executivo da Unaids, programa da Organização das Nações Unidas para HIV/Aids.

"Em todas as regiões do mundo, a proporção de mulheres entre as pessoas portadoras do HIV vem aumentando", disse Piot, referindo-se, entre outros, ao sudeste da Ásia, ao Leste Europeu, à América Central e mesmo aos EUA.

Em uma situação especialmente desvantajosa estão as mulheres vítimas de estupro, incluindo as meninas noivas que sofrem nas mãos de seus maridos, as mulheres que nunca receberam tratamento e as prostitutas, afirmou Piot, em uma entrevista concedida na segunda-feira.

"Sabemos que, em muitas sociedades, o maior fator de risco hoje é casar-se cedo, sempre com um homem mais velho", disse a autoridade.

"A ironia é que o casamento está se transformando em um fator de risco para a Aids. A maior parte das mulheres, na Tailândia, no leste da África, é hoje contaminada por seu único parceiro sexual, seu marido."

Entre mais de 38 milhões de pessoas com o HIV, o vírus causador da Aids, 17 milhões são mulheres e 13,5 milhões delas vivem na África. Cerca de 2,8 milhões de pessoas morreram em virtude da doença em 2005.

"Acho que estamos tendo uma epidemia tão grande, entre outros motivos, por causa da falta de controle sobre a sexualidade das mulheres. E também devido à ausência de métodos (de prevenção) controlados pelas mulheres", afirmou Piot.

A pesquisa com microbicidas -- gel e creme feitos para as mulheres a fim de que possam se proteger contra a Aids -- oferece a melhor promessa de prevenção. Esse tipo de medicamento pode estar disponível até 2010, dizem especialistas da ONU.

ASSUNTO DELICADO

Entre as muitas recomendações com vistas à prevenção, estão medidas como campanhas educativas para meninas do segundo grau, realização mais frequente de testes, cuidados com a saúde reprodutiva e combate à gravidez entre os adolescentes.

Outra medida incluída em relatórios da ONU é a observação recíproca entre prostitutas e usuários de drogas.

Apesar de a Unaids, em um novo relatório de 630 páginas, ser direta a respeito de como prevenir a Aids e a respeito das formas de contágio, um comunicado final dos delegados de governos deve usar palavras tão indiretas quanto as utilizadas na última grande conferência da ONU sobre a doença, em 2001.

"As mesmas questões que foram as mais polêmicas em 2001 continuam a ser polêmicas", disse Piot.

A simples menção de homossexuais, prostitutas e usuários de drogas é um tabu entre os países islâmicos, entre muitos países católicos e no atual governo dos EUA, liderado pelo presidente George W. Bush.

"O argumento é de que essas práticas são ilegais em muitos países e de que a simples menção delas seria algo permissivo", afirmou Piot. No lugar desses termos, é usada a expressão "grupos vulneráveis".

Na maior parte do mundo, a Aids começou entre as prostitutas, homossexuais e usuários de drogas. Quando a doença ultrapassa a barreira desses grupos, ela atinge a população em geral, incluindo bebês nascidos de mulheres contaminadas.

Os EUA prometeram gastar mais dinheiro na luta contra a Aids do que qualquer outro país -- 15 bilhões de dólares.

Desse montante, 20 por cento foram reservados para campanhas de prevenção e metade, para os programas "de abstinência e de incentivo à fé".

Grupos que recebem doações precisam provar que são contrários à prostituição, campanhas de distribuição de seringas descartáveis são vistas com suspeita e não há programas de educação sexual para jovens.

"Não somos contrários aos programas de abstinência, mas eles precisam ser parte de um cenário mais amplo", afirmou Piot. "Para uma menina de 14 anos, por exemplo, trata-se de um direito humanitário não praticar sexo e não se casar, não ser estuprada."
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Comentários Adicionados pelos Usuários
Laura de rio
lauraruines@bol.com.br
Em 30/03/08 12:07 comentou:
"boba"
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