Médicos Sul-africanos encontram VIH resistentes aos medicamentos
Fonte: AidsPortugal.com
Há dez anos atrás, isolados VIH resistentes aos medicamentos afectavam entre 1 e 5 porcento dos pacientes com VIH/SIDA no mundo. Na África sub-sahariana, onde poucos pacientes tiveram acesso aos anti-retrovirais (ARV) há uma década, as taxas de resistência subiram para cerca de 5 por cento nos últimos anos. Dado que muitos médicos não testam as resistências, a proporção pode ser ainda maior.
A estimativa das NU de que serão precisos 25 bilhões de dólares americanos para combater a SIDA em 2010, não conta com o tratamento de estirpes resistentes, o que poderia elevar a quantia para 44 bilhões de dólares. Ainda assim, os doadores provavelmente contribuirão apenas com metade da menor soma.
"Durante os primeiros dois ou três anos eu via esses casos. Era raro", disse a Dra. Theresa Rossouw da clínica VIH do Hospital Distrital de Tshwane, que trata 5.000 pacientes. "Agora é real diariamente. Acho que nos próximos cinco anos, nós iremos ter essa necessidade."
Dentro do dossier preto de Rossouw há uma lista de 200 pacientes que falharam, pelo menos, uma toma da terapia. As primeiras gerações de drogas contra a SIDA distribuídas em África são imperdoáveis no que respeita à não adesão, interrupções sistémicas ou prescrição incorrecta. Algumas das drogas podem ser tóxicas para determinados pacientes. Apenas uma pequena quantidade de ARV’s estão disponíveis e, quando falham a maioria dos pacientes não têm outras opções.
Alguns dos piores casos de resistências são vistos na unidade pediátrica do hospital. Rossouw e os colegas explicam que têm que confiar nos outros para se certificarem de que os seus filhos tomam os medicamentos. Às vezes, os filhos tornam-se órfãos devido à SIDA, e em seguida, acabam por viver saltando entre parentes. Os familiares jovens podem supervisionar os seus cuidados ou serem responsáveis por diluírem os ARV nas dosagens pediátricas.
"O que acontece se eles começam a espalhar a resistência na comunidade?" questiona Rossouw, que acusa as práticas particulares para alguns dos casos resistentes que vê. Muitos não conseguem monitorizar a carga viral ou a adesão ao tratamento, disse ela. "Eles só os iniciam no tratamento e esperam que isso vá resolver todos os seus problemas.”
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