Uganda - Diagnóstico precoce de VIH ainda uma Ilusão
Fonte: AidsPortugal.com
Muitos pais no Uganda estão relutantes no que diz respeito a testarem os seus filhos relativamente à infecção por VIH, dificultando a prevenção pediátrica, o tratamento e os esforços de cuidado na nação do Leste de África, dizem especialistas da área da saúde.
"O rastreio continua a enganar-nos e o estigma é ainda muito elevado, disse o Dr. Zainab Akol, director do programa nacional para controlo da SIDA do Uganda. "Para além disso, os pais ainda não sabem como transmitir esta informação [de que são VIH-positivos] aos seus filhos. É por isso que o diagnóstico precoce ainda está atrasado".
Dados do Ministério da Saúde mostram que 1,15 milhões de Ugandeses viviam com VIH à data de Dezembro de 2008, incluindo 88 919 crianças com idades compreendidas entre os zero e os 14 anos. Destas crianças, 33 152 apresentam contagens de células T CD4+ indicativas da necessidade de tratamento com anti-retrovíricos (ART). Contudo, apenas 40 por cento das crianças gravemente imuno-comprometidas estavam a receber tratamento à data de Setembro daquele ano, a maioria delas em zonas urbanas.
Em Junho de 2008, a Organização Mundial de Saúde definiu directrizes apelando a que todas as crianças com diagnóstico confirmado de infecção por VIH e com menos de um ano de idade iniciassem ART para reduzir as taxas de morbilidade e mortalidade associadas à infecção. Sem tratamento e cuidado, mais de 80 por cento das crianças com VIH morrem antes do segundo ano de vida.
"Introduzimos o 'Diagnóstico Infantil Precoce' na esperança de detectarmos a infecção cedo e de tratarmos as crianças e tentarmos segui-las", disse Akol.
O medo e a culpa são as principais razões pelas quais os pais se mostram relutantes em testar os seus filhos, disse a psicóloga Dr. Janet Nambi, directora do departamento de saúde mental e psicologia comunitária da Universidade de Makerere. "Mesmo quando há sinais de que as crianças poderão ser VIH-positivas, os pais mostram-se relutantes em confirmar a realidade porque essa realidade tem consequências", notou ela.
Inter Press Service (02.04.10)::Evelyn Matsamura Kiapi
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